Se alguém ainda achava que branding corporativo precisava ser sério demais, a Daki resolveu discordar em público.
A empresa anunciou a entrada de Jorginho como sócio e apresentou um cargo que, só pelo nome, já diz muito sobre o momento do marketing: Chief Faria Lima Officer.
Não é só uma brincadeira bem colocada. É estratégia.
Quando o personagem vira ativo de negócio
Jorginho, interpretado por Fausto Carvalho, não é um influenciador comum. Ele é um arquétipo. Representa o estereótipo do mercado financeiro, da Faria Lima, da linguagem corporativa exagerada e, justamente por isso, conecta rápido com quem vive ou observa esse ecossistema.
Ao transformar o personagem em sócio, a Daki faz algo que poucas marcas ainda têm coragem de assumir de forma explícita: usar cultura como moeda de negócio.
Não é publi isolada. Não é campanha pontual. É participação societária.
Media for equity deixou de ser buzzword
Esse movimento reforça uma tendência clara: media for equity não é mais papo de startup early stage tentando economizar caixa. Está virando modelo estratégico.
Em vez de pagar apenas por alcance, a marca entrega participação. Em troca, ganha algo mais difícil de comprar com dinheiro: relevância cultural contínua.
O personagem não aparece para vender um produto. Ele passa a fazer parte da narrativa da empresa.
Humor como estratégia, não como distração
O título “Chief Faria Lima Officer” funciona porque fala com quem entende o código. É humor interno, quase um meme corporativo elevado ao status de cargo executivo.
Mas por trás da piada existe leitura de cenário.
Empresas disputam atenção em um ambiente saturado de anúncios. Quem consegue fazer parte da conversa, e não apenas interrompê-la, sai na frente.
Aqui, a Daki escolhe rir junto com o público em vez de tentar convencê-lo à força.
O risco calculado que muitas marcas evitam
Esse tipo de movimento não é neutro. Ele gera identificação, mas também rejeição. E tudo bem.
Marcas fortes não tentam agradar todo mundo. Elas escolhem um território e assumem o custo disso.
Ao brincar com o universo da Faria Lima, a Daki se posiciona como alguém que entende o jogo, mas não leva o script tão a sério.
Isso cria personalidade. E personalidade vende mais do que discurso genérico.
O que profissionais de marketing podem aprender aqui
Mais do que a ação em si, o aprendizado está na lógica por trás:
• Personagens podem ser ativos estratégicos
• Humor pode conviver com negócio sério
• Equity pode valer mais do que CPM
• Cultura gera ROI quando bem usada
Não é sobre copiar a Daki. É sobre entender por que isso funciona.
No fim, a pergunta certa não é “funciona?”
A pergunta é outra: sua marca tem algo tão claro a dizer que poderia virar personagem?
Se a resposta for não, talvez o problema não seja a campanha. Seja o posicionamento.
Fernando Curtti | Especialista em IA, Marketing e SEO












