Todo ano deixa seus marcos positivos, mas são as controvérsias que realmente expõem as fragilidades de um setor. No universo da comunicação, marketing e mídia, este foi um período especialmente intenso. Em meio a fusões bilionárias, crescimento de plataformas e avanços tecnológicos, surgiram episódios que colocaram em xeque ética, credibilidade, responsabilidade social e até os limites da criatividade.
Não foram debates periféricos. Muitos deles atravessaram fronteiras, afetaram marcas globais, pressionaram governos e forçaram empresas a rever discursos e práticas que pareciam consolidadas.
A seguir, revisito os principais episódios que dominaram as conversas do setor e ajudam a explicar por que comunicar nunca foi tão delicado quanto agora.
Vídeo do influenciador Felca suscitou o debate sobre adultização (Crédito: Reprodução)
Adultização, redes sociais e o novo ECA Digital
Um dos debates mais sensíveis do ano surgiu a partir de denúncias sobre a exposição de crianças e adolescentes em conteúdos digitais. Um vídeo do influenciador Felca funcionou como estopim para uma discussão que rapidamente saiu das redes e chegou ao Congresso.
O resultado foi a criação da CPI da Adultização e a aprovação do chamado ECA Digital, que atualiza o Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente online. O tema ganhou ainda mais profundidade com o sucesso de uma série da Netflix que escancarou o abismo entre pais, filhos e o universo digital.
Para marcas e plataformas, ficou o alerta. Engajamento não pode custar a integridade de quem ainda está em formação.
(Crédito: Shutterstock)
O impasse do mototáxi por aplicativo em São Paulo
O transporte por motocicletas via app virou uma novela urbana. Uber e 99 tentaram emplacar o serviço na capital paulista, enfrentaram resistência da prefeitura, decisões judiciais, multas milionárias e, por fim, uma regulamentação considerada inviável pelas empresas.
O episódio expôs um ponto central da economia digital no Brasil. A inovação avança mais rápido do que a legislação, e quando o ajuste vem, muitas vezes chega com força suficiente para inviabilizar o modelo de negócio.
(Crédito: Shutterstock)
Fraudes fiscais e marcas no centro do furacão
Investigações do Ministério Público e da Receita Federal colocaram grandes anunciantes sob os holofotes. A prisão de executivos ligados a empresas como Ultrafarma e Fast Shop reacendeu o debate sobre governança, compliance e o risco reputacional de marcas muito associadas à figura de seus fundadores.
Quando a imagem do negócio está diretamente ligada a um rosto conhecido, qualquer escândalo deixa de ser apenas jurídico e passa a ser também comunicacional.
(Crédito: Shutterstock)
Bets, influenciadores e o limite da persuasão
Mesmo regulamentadas, as casas de apostas continuaram no centro da polêmica. Dados revelaram o peso dos criadores de conteúdo na adesão de novos usuários, o que levou à CPI das Bets e a projetos de lei que tentam restringir campanhas consideradas predatórias.
O debate aqui é profundo. Até onde vai a responsabilidade de quem comunica? E quando a publicidade deixa de ser persuasão legítima para se tornar estímulo ao prejuízo?
(Crédito: Shutterstock)
A tentativa de uma Times Square em São Paulo
A proposta de flexibilizar a Lei Cidade Limpa reacendeu uma discussão antiga. De um lado, defensores da modernização da mídia out of home. Do outro, urbanistas e cidadãos preocupados com poluição visual e descaracterização da cidade.
A ideia de criar uma “Times Square paulistana” mostrou como comunicação, arquitetura e identidade urbana caminham juntas, e como decisões estéticas também são decisões políticas.
(Crédito: Imagem gerada por IA.)
Tarifas dos Estados Unidos e reflexos globais
O tarifaço imposto pelo governo americano a produtos brasileiros foi além da economia. Ele afetou narrativas, estratégias de posicionamento internacional e até campanhas de marcas exportadoras.
Mesmo com ajustes posteriores, o episódio mostrou como decisões políticas externas podem interferir diretamente no planejamento de negócios e comunicação de empresas brasileiras.
Cacau Show (Crédito: Divulgação)
Relação estremecida entre franqueadora e franqueados
A Cacau Show enfrentou questionamentos públicos sobre sua relação com franqueados e práticas de gestão. Ainda que a empresa tenha rebatido as acusações, o caso foi parar no Ministério Público do Trabalho e gerou desgaste.
Em um mercado cada vez mais atento a bastidores, a comunicação interna deixou de ser um assunto restrito ao RH e passou a impactar diretamente a reputação da marca.
(Crédito: Shutterstock)
A crise do metanol e o risco do mercado ilegal
O setor de bebidas viveu um de seus momentos mais trágicos com mortes causadas por destilados adulterados com metanol. Além da dor humana, o episódio escancarou o tamanho do mercado ilegal e os riscos de uma cadeia sem fiscalização adequada.
Para marcas legais, ficou o desafio de reforçar confiança, origem e segurança em um ambiente de desinformação e medo.
(Crédito: Shutterstock)
O ano em que Cannes colocou o Brasil em xeque
O que começou como uma celebração histórica da criatividade brasileira terminou em uma crise internacional. Leões cassados, cases desqualificados e questionamentos sobre uso indevido de dados e inteligência artificial abalaram a credibilidade do País no maior festival de publicidade do mundo.
Mais do que um problema de agência ou anunciante, o episódio levantou uma pergunta incômoda. Até onde vale ir para vencer?
(Crédito: Shutterstock)
ESG, DEI e o avanço do discurso anti-woke
Enquanto empresas americanas recuaram em políticas de diversidade e inclusão, pressionadas por movimentos conservadores, o Brasil seguiu em rota diferente. Marcas como Natura e C&A reforçaram compromissos e usaram o próprio debate como posicionamento.
O contraste deixou claro que ESG e DEI não são apenas tendências globais, mas escolhas estratégicas moldadas por contexto cultural e social.
(Crédito: Shutterstock)
O que essas polêmicas ensinam para quem comunica
O fio condutor de todos esses episódios é simples, mas poderoso. Comunicação não é mais apenas mensagem. É postura, decisão e consequência.
Em um ambiente onde tudo repercute, marcas precisam entender que engajamento fácil, atalhos criativos ou discursos oportunistas cobram um preço alto no médio e longo prazo.
Quem ignora isso, aprende da forma mais dura.
Se você quer estruturar sua comunicação com clareza, estratégia e responsabilidade, vale contar com alguém que acompanhe de perto esses movimentos e saiba transformar cenário em ação concreta.
Fernando Curtti | Especialista em IA, Marketing e SEO












